quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Ampulheta - Caroline Mendes

Ampulheta


Minha ampulheta é pesada,

Feita de mármore e ouro

Dentro, o pó corre

De um canto a outro.


Não posso virar o objeto

De cabeça para baixo,

De modo que o que já caiu

Fica - para sempre - embaixo.


Porém, eu sei que posso

Deixá-la ficar deitada.

Assim o pó não corre,

Mas depois, não há virada!


Pois como é pesada

Só cai uma vez

Não se pode levantar:

Nunca ninguém o fez!


E o pó que está em cima

É limitado e oculto

Está sempre em movimento,

É um pó escuro.


E o que vai caindo,

Embaixo se acumulando

Não consigo ver passar:

É rápido, nunca brando!


Caroline Mendes








9 comentários:

, Miima disse...

Carol essa ampulheta se parece com um outro movimento chamado vida. As vezes não conseguimos tirar de baixo o que está em baixo, e não podemos saber o que está por cima...
E como passa rápido!!

P.S: Poesias maravilhosas. Obrigada!

torradastostadas disse...

bonita poesia e linda imagem. o ruim dá vida é que não podemos mudar o lado da ampulheta, uma pena.

FabioZen disse...

Muito bom,gostei!

Hemylle disse...

Lindo seu texto, Caroline!^^
Parabéns!
Se cuida!=)

blog do et disse...

bonito.

Simply disse...

Quanto tempo eu não passo aqui.
Mas, quando mais eu passo melhor está.
Outro lugar melhor não vi.
Outra lugar melhor não existirá.

abs e bjs.

Riquettinha disse...

Cara super legal esse blog, adorei essa poesia e etc...

Sopa disse...

linda poesia, linda mesmo

a comparação da vida com a ampulheta
e cada ilustração feita, mostrar que tudo não volta... o peso disto tudo..

ótimo poema, parabéns.

Guilherme Lombardi disse...

lindissimas poesias, parabéns pelo blog.