domingo, 1 de março de 2009

Viagem ao interior de um travesseiro - Chen-Tsi-tsi - Parte 1/3

Tenho um livro em casa que se chama "Maravilhas do Conto Chinês". Eu o comprei num sebo, e não existe mais para vender, infelizmente, como tantos livros bons. Mas há um conto que me chamou muito a atenção, e não o encontrei na internet. Por isso queria divulgá-lo. Como ainda estou digitando, vou separá-lo em partes para não ficar cansativo e não ficar muito texto para uma postagem só. Epero que gostem! =D

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Viagem ao interior de um travesseiro

Chen-Tsi-Tsi

No sétimo ano da época Kiai-yuan (712-741), um taoísta, conhecido como Pai Li, errava pela região de Han-tang. Certo dia, em que tivera de se deter numa estalagem de muda, o monge, enquanto esperava, tirou o boné, desapertou o cinto e sentou-se no chão, apoiando o peito contra o saco de viagem.

Nesse instante, entrou na estalagem um jovem vestido com trajes simples de camponês. Chamava-se Lu. De volta dos campos, detivera-se, como de costume, na pousada. Sentou-se na mesma esteira do taoísta e entre ambos logo se entabulou agradável palestra.

Passou-se algum tempo. Olhando tristemente para seu vestuário velho e coçado, o jovem soltou um longo suspiro:

- Dizer que sou homem de bem e que não tenho sorte na vida! Como sou desgraçado!

O velho taoísta ficou surpreso:

- Vendo-vos, ninguém diria que sofreis de algum mal! Por que tão súbito suspiro?

-Arrasto-me pela vida, eis tudo. Não tenho qualquer alegria – Retrucou o jovem, obstinadamente.

- Se isso não é alegria, que mais esperais para ser feliz?

- Um homem de cultura – prosseguiu o jovem Lu, com gravidade – Deve levar a cabo grandes empresas e granjear fama. Deve chegar a general-comandante de um exército expedicionário, ou a primeiro-ministro do Império. É necessário que logre fazer com que prosperem sua família quanto seus bens. Só então poderá falar em alegrias, em abastanças!

Ao cabo de uma pausa, prosseguiu:

- Jovem ainda, apliquei-me ao estudo com ardor e inteligência. Em muitos sentidos, sou homem bem dotado. Acreditei, outrora, poder atingir, sem dificuldade, altas posições na magistratura. Mas, como vedes, aqui estou, homem feito e labutando ingloriamente nos campos. Não é lamentável?

Seguiu-se longo silêncio. O jovem Lu parecia estar prostrado de fadiga e desejoso de cochilar um pouco. Entrementes, o estalajadeiro, absorto, ocupava-se em assar milho na estufa. O velho monge, tirando de sua bagagem um travesseiro, estendeu-o ao jovem:

- Descansai neste travesseiro e alcançareis honrarias e fortuna. À vontade.


Fim da primeira parte.

5 comentários:

Moça do Fio disse...

Bom dia ;-)

Adoro contos. Estou esperando ansiosamente a continuação.

Abraços.

Dani disse...

ola.parabens pelo blog!!
leitura é algo mravilhoso neh?

bjoos,

http://nadadelicada.blogspot.com/

Adriano disse...

Adoro textos da tradição oriental (meu livro de cabeceira é o tao te king), eles sempre tratam os temas humanos sob uma pespectiva diferente, quase sempre muito prática. vou aguardar a segunda parte para comentar o conto.

quanto ao blog, achei fantástico, desde os tetxos até o layout. continue escrvendo, no seu caso, vale a pena.

abraço, vou seguir o blog.

Lanarsa. disse...

Heeeeey AMEEEEI o conto , tenho facínio , e ficarei lendo sempre q vc postar
beeeeijo.
aaaah , estou á espereda continuação, vamos ver no q vai dar!

http://laaahsp.blogspot.com/

Toninho disse...

Em geral, o conteúdo do seu blog eh muito interessante. Gostei da leitura que vc disponibilizou no seu blog. Mas óh... uma dica: Faça textos de sua própria autoria.

Parabéns pelo blog !
visita o meu:
www.tonblogando.blogspot.com