segunda-feira, 30 de março de 2009

Da Janela - Caroline Mendes.


Da Janela.

Duma casinha ao vento
À um apartamento.
Que mudança grande
- Foi feita num instante!

Antes eu via apenas,
Da janela, alfazemas.
Agora eu vejo à frente
Prédios e muita gente.

Ali no prédio ao lado,
Um homem emproado
Está no quinto andar
Com sapatos a calçar.

No outro prédio, na sacada,
Está uma moça alinhada.
Vestido, bolsa e cinto,
Para sair, eu pressinto.

Numa selva de concreto
Estamos nós, é bem certo.
Vivendo civilizadamente
Em meio ao bicho gente.

Caroline Mendes.

São Paulo à noite.














8 comentários:

mateus disse...

Da minha casa tabém observo as pessoas dos outros prédios, é tãoo leeegal;)

Márcio Vandré disse...

A janela é uma maravilha.
Não sei o que seria eu sem ela.
Aliás, roubei seu título e fiz uma poesia. ;)
Um beijo! =**

Tchezar disse...

Não sei explicar, mas acho que a vista de São Paulo a noite é uma das mais charmosas do Brasil...
E é realmente estranho quando você começa a observar as atitudes das pessoas, de longe. Percebemos cada coisa... rs!

Eu amo a E.Y. disse...

salvo raras exceções, deve ser um choque sair de uma casa para morar em um apartamento. Mas é só suposição, pois sempre vivi em apartamento mesmo.

Cuidado com a janela indiscreta! (risos)

Beijos!

Jonathan Flexa disse...

Você gosta mesmo é de ficar olhando, assuma! =)

Aquilo no céu... seria o fim dos tempos?

Sir Edison Gil disse...

"Aquela espiadinha basica" HEHE. Excelente poema!

Gisela Melloso disse...

Olá Caroline,

Nossa interessante esta coisa de olharmos as pessoas, e não como bisbilhotar não, como uma forma de analise mesmo, no seu caso ter uma janela para várias janelinhas... e poder ver que todo o mundo a sua frente vive, briga, come, vê tv, lê jornal... Muito interessante isto, e vc conseguiu colocar isto em sua poesia, o descrever de acontecimentos a sua frente sem que ninguém imaginasse que vc estava lá olhando e podendo até existir um alguém que estivesse a olhando. Estranho ñé? rsrsrsrsrs

Forte abraço viu?

Xandy Britto disse...

Também sinto isso, cada um com sua vida... e os prédios causam isso. Pessoas transam no andar de cima enquanto o filho fuma maconha no debaixo. No do lado, o pai alcoólara briga com a mãe e só no primeiro andar, e no vigésimo terceiro há uma família feliz, hoje, pois o mundo nervoso pode mudar tudo.

Bela poesia. Me fez refletir bastante.

XB