domingo, 29 de novembro de 2009

Esfihas Notáveis

Esfihas Notáveis

Esfiha de queijo mais esfiha de carne ao quadrado é igual a esfiha de queijo ao quadrado mais duas vezes a esfiha de queijo vezes a esfiha de carne mais a esfiha de carne ao quadrado.






sábado, 28 de novembro de 2009

Sombra - Caroline Mendes

Sombra

"Aquilo a que a terminologia romântica chama génio ou inspiração não é mais do que encontrar empiricamente o caminho, seguir o próprio olfacto, tomar atalhos." - Italo Calvino

Tua sombra quase alcanço
Mas estás de partida
Fico eu neste balanço
Subo e desço, sofrida

O teu aroma bem sinto
Juro que sim, porém
Tocar-te não consigo
E presa me manténs

Se penso te possuir
É o azar que me torce
Do frasco, a sorrir
És fragrância que foge.

Caroline Mendes

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Livro - O Macaco Nu

Título: O Macaco Nu

Autor: Desmond Morris

Assunto: Literatura Científica - Evolução, Comportamento Humano.


Eis um livro que não pode faltar na estante de nenhum macaco nu. Isso mesmo. Neste livro, o autor trata da espécie humana como a uma espécie animal, e, é claro, com todas as suas particularidades. O termo "nu" se refere ao fato de nossa mais perceptível diferença em relação aos outros primatas: não somos tão peludos quanto eles.


O autor faz um brilhante estudo do animal humano, e mostra também muitos dados interessantes sobre o nosso comportamento. O leitor jamais verá a si mesmo com os mesmos olhos após a leitura deste livro.



Trecho do Livro:


"Feliz seria a sociedade que adquirisse gradativamente um equilíbrio perfeito entre a imitação e a curiosidade, entre a escravatura da aceitação cega da imitação e a experimentação progressiva e racional."


Desmond Morris





sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Momento - Caroline Mendes

Momento

Debaixo de um canapé está
Um pequeno inseto, a esperar
O momento, mas está incerto
Tem medo de sair, ser descoberto.

Olha quem chega na entrada,
Qualquer mudança é calculada.
Espera e imagina e analisa
A situação que lhe foi tida

Até que enfim pensa: "é tempo."
Dali sai devagar, com senso
Porém é caçado por outro
Que assim lhe comerá, com gosto.

Caroline Mendes


sábado, 14 de novembro de 2009

Verme - Caroline Mendes

Verme

Como era forte, ele imaginava
Vivendo em orgulho se manteve.
Só nunca esperava, quem diria:
Que como refém se escondesse.

Mas o inimigo era o próprio homem
E dele como havia de fugir?
O único caminho era aceitar
O grande verme hospedeiro em si.


Caroline Mendes


segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Cantigas - Caroline Mendes

Cantigas

Queridas cantigas em noites frias
Em noites frias queridas cantigas
Cantigas queridas
___________________Frias noites
Em frias noites cantigas queridas


Caroline Mendes


domingo, 25 de outubro de 2009

O assassino era o escriba - Paulo Leminski

O assassino
era o escriba


Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito
inexistente.
Um pleonasmo, o principal predicado da sua vida,
regular com um paradigma da 1ª conjugação.
Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial,
ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito
assindético de nos torturar com um aposto.
Casou com uma regência.
Foi infeliz.
Era possessivo como um pronome.
E ela era bitransitiva.
Tentou ir para os EUA.
Não deu.
Acharam um artigo indefinido em sua bagagem.
A interjeição do bigode declinava partículas
expletivas, conetivos e agentes da passiva, o tempo todo.
Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.

Paulo Leminski


quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Paulo Leminski

das coisas
que eu fiz a metro
todos saberão
quantos quilômetros
são

aquelas
em centímetros
sentimentos mínimos
ímpetos infinitos
não?

Paulo Leminski


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

À um Jardineiro - Caroline Mendes

À um Jardineiro

Jardineiro, que me plantavas
Agora sou rosa abandonada
Queria cuidados tantos

Queria água, queria vida
Tinha apenas um desejo:
De fazer teu jardim terra querida!

Risos e ternuras e verdes olhos teus
Como céu infinito, essas lembranças
Não acabam nos sonhos meus.

De como me vias, com empatia...
No teu olhar, o riso de quem vivia
Para uma flor, eu te diria.

Caroline Mendes


domingo, 18 de outubro de 2009

Primavera Adormecida - Caroline Mendes

Primavera Adormecida

Enquanto a primavera adormece,
Fico esperando o nascimento
De qualquer flor - e me entristece
Saber que não tenho alimento.

Vou te salvar, vou te salvar

A primavera apenas dorme
Da flor, não vejo nem semente
Só espera e tormento e nada e morte

Vou te salvar, vou te salvar

No escuro da noite,
Sua voz ecoa na solidão
O som vibra e geme e diz:

Vou te salvar, vou te salvar

Caroline Mendes


sábado, 10 de outubro de 2009

General Sherman - Caroline Mendes

General Sherman

Mora no Parque Nacional da Sequoia,

Na Califórnia, Estados Unidos.
1260 toneladas
é o seu peso admitido.

Com 80 metros de altura
E 30 de circunferência,
Vive por mais de 3 mil anos:
É o maior ser vivo, sem engano.

Caroline Mendes

Fonte da imagem:http://www.di-bella.de/

Clique na imagem para vê-la ampliada:
repare nas pessoas que estão ao redor!

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Mnemiopsis Leidyi - Caroline Mendes

Mnemiopsis Leidyi


Antigamente era água viva,

Porém hoje é ctenóforo

Está em todos os mares

Não tem músculos pulsáteis.


Tem cílios para locomoção,

E tentáculos para comer.

Não possui cnidócitos

- Arpões venenosos.


Com células laçadoras

Consegue o jantar

É o mais belo ser vivo,

É sim: magnífico!


Caroline Mendes








sábado, 26 de setembro de 2009

O jardineiro - Caroline Mendes

O Jardineiro

O jardineiro, cuidadoso,
Tinha as mais belas flores
Seu jardim sempre crescia:
Muitas rosas, muitas cores.

Uma noite, porém, bastou
Para que tudo desabasse.
Quem matou as suas rosas 
Foi uma grande tempestade.

O jardineiro, muito velho, 
Estava sozinho a dormir
E no dia seguinte àquele
Não viu mais seu jardim.

Foi durante a tempestade
Quando seu jardim morria
Que o velho suspirava:
Ele também partia!

Caroline Mendes



Pintura de Monet

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Pendência - Caroline Mendes

Pendência


Oh, que bom que existe

A pendência, que ficou,

Assim tenho a certeza

De que ainda não acabou


Este castelo de areia

Que é sempre desmanchado

Quando vem o mar

Derrubando-o, tão bravo.


Assim o castelo fica à deriva

Esperando que uma menina

Venha, e reconstrua

Sua forma, arquitetura.


E, se ela for amiga,

Poderá ter a ajuda

De um menino, nas medidas

Do castelo, da escultura.


Caroline Mendes

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Despedida - Rubem Braga

Despedida


E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval — uma pessoa se perde da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito — depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado — sem glória nem humilhação.


Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito.

E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho?

Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras — com flores e cantos. O inverno — te lembras — nos maltratou; não havia flores, não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil.

Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus.

A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.


Rubem Braga


Extraído do livro "A Traição das Elegantes", Editora Sabiá – Rio de Janeiro, 1967.