domingo, 25 de outubro de 2009
O assassino era o escriba - Paulo Leminski
era o escriba
Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito
inexistente.
Um pleonasmo, o principal predicado da sua vida,
regular com um paradigma da 1ª conjugação.
Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial,
ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito
assindético de nos torturar com um aposto.
Casou com uma regência.
Foi infeliz.
Era possessivo como um pronome.
E ela era bitransitiva.
Tentou ir para os EUA.
Não deu.
Acharam um artigo indefinido em sua bagagem.
A interjeição do bigode declinava partículas
expletivas, conetivos e agentes da passiva, o tempo todo.
Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.
Paulo Leminski
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Paulo Leminski
que eu fiz a metro
todos saberão
quantos quilômetros
são
aquelas
em centímetros
sentimentos mínimos
ímpetos infinitos
não?
Paulo Leminski
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Amor matemático - Autor Desconhecido
Amor matemático
Um Quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base…
Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo ortogonal, seios esferóides.
Fez da sua
Uma vida
Paralela à dela.
Até que se encontraram
No Infinito.
“Quem és tu?” indagou ele
Com ânsia radical.
“Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode chamar-me Hipotenusa.”
E de falarem descobriram que eram
O que, em aritmética, corresponde
A alma irmãs
Primos-entre-si.
E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz.
Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Rectas, curvas, círculos e linhas sinusoidais.
Escandalizaram os ortodoxos
das fórmulas euclidianas
E os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas
e pitagóricas.
E, enfim, resolveram casar-se.
Constituir um lar.
Mais que um lar.
Uma Perpendicular.
Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e
diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade
Integral
E diferencial.
E casaram-se e tiveram
uma secante e três cones
Muito engraçadinhos.
E foram felizes
Até àquele dia
Em que tudo, afinal,
se torna monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum…
Frequentador de Círculos Concêntricos.
Viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um Denominador Comum.
Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais Um Todo.
Uma Unidade.
Era o Triângulo,
chamado amoroso.
E desse problema ela era a fracção
Mais ordinária.
Mas foi então, que Einstein descobriu a Relatividade.
E tudo que era expúrio passou a ser Moralidade
Como aliás, em qualquer Sociedade.
Autor desconhecido
quinta-feira, 12 de março de 2009
Sobre literatura de cordel.
Para quem não conhece - em algumas regiões do Brasil essa arte é pouco distribuída -, a Literatura de Cordel é, antes de tudo, um tipo de poesia popular, originalmente oral, e depois impressa em folhetos. Essa arte veio de Portugal, e a região do Brasil que mais foi influenciada pelos folhetos de cordéis é o Nordeste.
A estrutura da poesia pode ser bem diversificada, com quadras, sextilhas, septilhas, oitavas, décimas...
Para trazer um pouco disso tudo a vocês, peguei um dos meus "livrinhos" - como chamo -, e repassarei algumas partes.
"Uma vez o seu Lunga
Levou tremenda topada
Alguém chegando pergunta:
- Como foi isso, camarada?
Lunga com o mesmo dedo
Chuta de novo o rochedo
Diz: - Assim!!!, com voz irada"
"A mulher dele outro dia
O relógio derrubou
Olhou pro marido e disse:
- Lunga o relógio parou.
- Queria ver ele andando
Com a queda que levou?"
Esses trechos são do cordel "Seu Lunga, o rei do mau-humor",
escrito por Rouxinol do Rinaré - pseudônimo.
Por enquanto é apenas isso, se gostarem, postarei mais sobre Literatura de Cordel =]
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Que é - simpatia - Casimiro de Abreu

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
A rua dos cataventos - Mário Quintana
A rua dos cataventos
Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.
Hoje, dos meu cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.
Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arracar a luz sagrada!
Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!
Mário Quintana
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Círculo Vicioso - Machado de Assis
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Vita Nuova - Olavo Bilac
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Com esses mesmos olhos abrasados,
Mata a recordação das horas idas,
Das horas que vivemos apartados!
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Não me fales dos beijos dissipados!
Há numa vida humana cem mil vidas,
Cabem num coração cem mil pecados!
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Revive. Esquece o meu passado, louca!
Que importa a vida que passou? que importa,
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E inda tenho, nos olhos e na boca,
Novas fontes de beijos e de prantos?!
sábado, 17 de janeiro de 2009
Remorso - Olavo Bilac
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